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NUNCA DEIXE DE FAZER

NUNCA DEIXE DE FAZER

O check-up é indispensável na prevenção de inúmeras moléstias. Há os exames básicos e aqueles que variam de pessoa para pessoa.

 
É Recomendação a quem está se sentindo muito bem, obrigado: faça um check-up. Esse conjunto de exames que se popularizou nos anos 60, derivado da intensa investigação médica a que se submetiam os astronautas americanos, desenvolveu-se a tal ponto que se transformou na principal arma de prevenção de várias doenças.
 
A tecnologia hoje disponível permite aos médicos não só identificar com precisão a origem de sintomas como também antecipar a descoberta de certas moléstias. A nova filosofia do check-up, no entanto, descarta a prescrição aleatória de dezenas de testes. Em vez de uma série completíssima, os médicos preferem cada vez mais pedir o check-up personalizado, com base num exame clínico minucioso, na faixa etária do paciente e numa consulta prévia que levanta seu histórico de saúde familiar e hábitos de vida. Esse procedimento, dizem eles, tem a vantagem de fechar diagnósticos mais rapidamente.
 
O check-up completo é, atualmente, mais utilizado pelas grandes empresas, que oferecem a seus funcionários graduados exames periódicos a partir dos 40 anos. Não é uma benemerência. As doenças de empregados costumam sair caro, na forma de licenças, faltas ao trabalho e aposentadorias prematuras. A prevenção, aqui, é uma forma de economizar nos custos.
Nos últimos vinte anos, os exames se tornaram menos invasivos e incrivelmente mais precisos. Para se ter uma idéia, na década de 80 a osteoporose (descalcificação dos ossos que afeta principalmente mulheres após a menopausa) só era detectável por radiografia, quando a perda de massa óssea já estava acima de 30%. Os aparelhos de última geração conseguem verificar perdas de até 2%, o que possibilita minimizar os efeitos futuros da doença. No que se refere ao coração, até o trivial se sofisticou. Os testes de medição dos níveis de colesterol no sangue estão bem mais apurados. Isso é importante porque basta uma ligeira alteração na concentração dessa substância para que o risco de infarto aumente exponencialmente. Há novos exames sanguíneos que dosam a presença de uma proteína chamada PCR, cujo excesso é pernicioso à saúde cardíaca.
 
No plano das máquinas, são de uso corriqueiro aquelas que parecem colocar o médico dentro do corpo do paciente. Elas vasculham o interior das artérias, revelando a existência de lesões ou de placas de gordura. A cintigrafia do miocárdio, por exemplo, permite que os médicos contemplem em uma tela de computador a irrigação sanguínea do coração, como se estivessem assistindo a um filme. Dessa forma, flagram obstruções arteriais minúsculas e, assim, evitam que o paciente sofra um ataque. Nos Estados Unidos, já existem tomógrafos computadorizados que fornecem imagens tridimensionais do coração. É como se o cardiologista tivesse o órgão em suas mãos. Graças à tecnologia, na última década os infartos fatais em homens e mulheres entre 40 e 59 anos tiveram uma diminuição da ordem de 10% – uma cifra respeitável, levando-se em conta que a doença costuma ceifar centenas de milhares de vidas a cada ano.
 
No que diz respeito ao câncer, os resultados são ainda mais significativos. Na última década, com a disseminação das mamografias de alta definição, que surpreendem tumores de até meio milímetro, as mortes por câncer de mama foram reduzidas em 30%. As antigas radiografias não eram capazes de detectar nódulos com menos de 1 centímetro. Deve chegar em breve aos hospitais de ponta brasileiros uma tecnologia que se encontra em testes finais entre os americanos: a mamografia digital. A novidade promete melhorar a detecção de microcalcificações no tecido mamário – concentrações de células cancerosas que chegam a ter o tamanho de um grão de areia. As grandes beneficiárias da mamografia digital serão as mulheres jovens, com menos de 35 anos. Como o tecido mamário delas é mais denso, o raio X tradicional deixa escapar até 25% dos nódulos malignos. Microcalcificações, então, são impossíveis de ser vistas. O novo exame promete uma revolução. As imagens captadas pela máquina são armazenadas em um computador, para ser manipuladas pelo médico. Dessa maneira, ele pode ampliar detalhes e comparar porções de tecidos, na busca de um diagnóstico mais certeiro e precoce. Se encontradas, as microcalcificações são extirpadas por meio de punções. As mamas mantêm-se completamente preservadas.
 
Da mesma forma que ocorre em outros campos, a tecnologia na área médica concentra esforços no desenvolvimento de testes genéticos que determinem a possibilidade de ter essa ou aquela doença. Alguns deles já existem, como os que dimensionam exatamente a propensão ao câncer de cólon, tireóide, mama, útero, ovário e próstata. Pacientes com histórico familiar de alto risco ganharam recentemente uma nova arma de prevenção. Trata-se de uma máquina chamada Wave, capaz de fazer o rastreamento genético com mais rapidez e eficiência. Com o equipamento, adquirido pelo Hospital do Câncer A.C. Camargo, de São Paulo, o resultado, que antes saía em seis meses, agora é obtido em até duas semanas. Os índices de acerto são de 95%. Confirmada a propensão à doença, são feitos exames periódicos para detectar o aparecimento de nódulos malignos. O próximo passo dos pesquisadores é criar um exame que aponte a probabilidade de uma pessoa ter entupimento de artérias por causa da formação de placas de colesterol. Se tudo der certo, inúmeras mortes por infarto serão evitadas.
Fonte Fonte: VEJA Sua Saúde – 28/3/2001. 

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