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PROZAC NA ÁGUA TORNA PEIXES ANTISSOCIAIS E AGRESSIVOS

Poluição por resíduos fármacos, como o antidepressivo de fluoxetina, compromete sistema neurológico e reprodutivo dos peixes, revela estudo.

Diariamente, milhões de litros de remédios e hormônios eliminados pelo organismo humano seguem pelo esgoto para um destino comum: as águas dos rios.

Os peixes que vivem nas proximidades de plantas de tratamento são particularmente vulneráveis à poluição por drogas humanas, uma vez que os resíduos fármacos ainda não são eficazmente removidos nas estações.

Um novo estudo indica que quando os peixes nadam em águas contaminadas com medicamentos antidepressivos, eles se tornam ansiosos, antissociais, agressivos e, por vezes, até mesmo homicidas.

Segundo os cientistas, os resíduos de remédios antidepressivos podem alterar genes responsáveis pela construção do cérebro do peixe e mudar seu comportamento.

A exposição à fluoxetina, sintetizada e comercializada inicialmente pela companhia farmacêutica Eli Lilly sob a marca Prozac, teve um efeito peculiar em peixes do gênero masculino, de acordo com a pesquisa realizada por cientistas da Universidade de Wisconsin-Milwaukee, nos Estados Unidos.

Na experiência de laboratório, quando expostos a pequenas doses diluídas na água, os animais ignoravam as fêmeas e, na hora da caça, levavam mais tempo para capturar a presa.

Quando a dose foi aumentada (mas de forma compatível com níveis encontrados em algumas das águas residuais coletadas), os machos tornaram-se ainda mais agressivos, matando as fêmeas em alguns casos.

Os antidepressivos são os medicamentos mais comumente prescritos nos Estados Unidos,  a cada ano são cerca de 250 milhões de prescrições. E eles também são as drogas mais documentadas por contaminar cursos de água no país.

Apesar do efeito na vida marinha, autoridades de saúde dizem que os níveis encontrados na água potável são baixos demais para causar danos aos seres humanos.

De acordo com um relatório da Organização de Saúde Mundial de 2012, a quantidade de resíduos de remédios encontrada na água potável geralmente é mil vezes menor do que a dose necessária para implicar efeitos.

 EXAME.com  – Poluição | 17/06/2013 – Vanessa Barbosa.

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